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Direito Previdenciário

Benefício do INSS parado há mais de 60 dias: é possível entrar com Mandado de Segurança em 2026?

Camila Oliveira
Dra. Camila Oliveira
6 min de leitura

Ter um benefício do INSS parado por meses, sem qualquer resposta, é uma realidade angustiante para milhares de brasileiros. A situação se torna ainda mais grave quando o pedido já passou por perícia médica, avaliação social e, mesmo assim, permanece com o status genérico de “em análise”.

O que muitas pessoas não sabem é que essa demora não é normal, nem legal. A legislação brasileira estabelece prazos objetivos para que a Administração Pública decida, e quando o INSS ultrapassa esses limites, surge a possibilidade de utilizar um instrumento constitucional específico: o Mandado de Segurança. Se você deseja saber mais sobre outros problemas comuns, veja nosso guia sobre o que fazer quando o INSS não dá resposta.

O que você vai entender neste artigo:
  • Qual é o prazo legal para o INSS decidir;
  • Quando a demora se torna ilegal;
  • Se o Mandado de Segurança é cabível;
  • O que os juízes têm decidido em casos reais;

O que significa ter um benefício do INSS “em análise” por meses?

Na prática, quando um requerimento fica “em análise”, significa que o pedido não foi decidido, mesmo após o cumprimento das etapas exigidas.

Caso Real - COS Advocacia
  • Pedido de BPC/LOAS protocolado;
  • Perícia médica e avaliação social concluídas;
  • 318 dias de espera desde o protocolo inicial sem resposta.

Esse tipo de paralisação configura o que o Direito chama de omissão administrativa.

Qual é o prazo legal para o INSS decidir um requerimento?

A ideia de que o INSS pode demorar “o tempo que quiser” é um mito. A legislação é clara.

Base legal literal: A Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo federal, estabelece no Art. 49: "Concluída a instrução do processo administrativo, a Administração tem o prazo de até 30 dias para decidir, salvo prorrogação por igual período, expressamente motivada."

Ou seja:

  • Regra geral: 30 dias;
  • Excepcionalmente: mais 30 dias, justificados formalmente.

Além disso, a legislação previdenciária reforça a necessidade de celeridade no Art. 41-A, § 5º, da Lei 8.213/91, que determina o pagamento em até 45 dias após a documentação. Ignorar isso é violação direta à lei.

A demora do INSS viola a Constituição?

Sim. A Constituição Federal garante a duração razoável do processo (art. 5º, LXXVIII), a eficiência da Administração Pública e a dignidade da pessoa humana.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Quando cabe o Mandado de Segurança?
Quando existe direito líquido e certo, ato ilegal (omissão) e prova documental da demora excessiva (mais de 60 dias sem decisão após a instrução).
O Mandado de Segurança garante o benefício?
Não. Ele obriga o INSS a proferir uma decisão (aprovar ou negar). Ele destrava o processo para que você não fique esperando indefinidamente.
Conclusão

A demora excessiva do INSS não é um detalhe administrativo, mas uma violação direta a direitos fundamentais. Quando um requerimento permanece parado por mais de 60 dias, o Mandado de Segurança surge como um instrumento legítimo e eficaz.

Cada caso possui particularidades. É recomendável buscar orientação jurídica especializada para garantir a melhor estratégia.

Dra. Camila Oliveira

Dra. Camila Oliveira

Advogada especialista em Direito Previdenciário, pós-graduada em Direito Público e Privado pela Escola de Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (Emerj). Com mais de 8 anos de experiência, dedica-se a defender os direitos dos segurados do INSS.

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